Michel Temer anuncia envio ao Congresso de projeto de lei sobre direito de greve
Decisões sobre greves em áreas consideradas essenciais, como segurança e saúde, costumam ser resolvidas em ações na Justiça
O
presidente Michel Temer anunciou nesta segunda-feira que o governo
enviará ao Congresso Nacional um projeto de lei para regulamentar o
direito de greve de servidores públicos, incluindo policiais civis,
funcionários de saúde e educação.
A
informação foi passada pessoalmente por Temer em uma declaração à
imprensa, quando ressaltou que o projeto não envolve as forças
militares, que são proibidas pela Constituição de entrar em greve ou
formarem sindicatos.
"Pela
Constituição, certos serviços essenciais não podem ficar paralisados. E
até hoje, embora haja muitos projetos correndo pelo Congresso Nacional,
nós vamos adicionar mais um projeto para que possa ser examinado pelo
Congresso Nacional", afirmou.
O
direito de greve está previsto na Constituição, mas a regulamentação
nunca foi feita. As decisões sobre greves em áreas consideradas
essenciais, como segurança e saúde, costumam ser resolvidas em ações na
Justiça.
Apesar
de não ter relação direta com a crise de segurança no Espírito Santo, o
projeto tenta prevenir que outras áreas de segurança, como guardas
municipais e policiais civis também criem movimentos em um momento em
que vários Estados passam por fortes crises financeiras. Além disso, o
governo teme movimentos generalizados nas demais áreas de atendimentos
essenciais, como educação e saúde.
"Eu
ressalto que isso não tem nada a ver com o que aconteceu no Espírito
Santo, que as forças federais lá estiveram com vistas ao
restabelecimento da lei e da ordem, porque as polícias militares, por
disposição constitucional, não podem fazer greve e nem sindicalizar-se",
disse o presidente.
"Eu
volto a dizer que, no caso desta última declaração, o governo federal
resolveu colocar as Forças Armadas à disposição de toda e qualquer
hipótese de desordem nos Estados da federação brasileira".
O
Palácio do Planalto avalia que o movimento no Espírito Santo vem
perdendo força, disse à Reuters uma fonte, e que não devem ser
necessárias novas medidas além do envio da Força Nacional e das Forças
Armadas. O ministro da Justiça interino, José Levi do Amaral Júnior,
voltou hoje à Vitória para acompanhar a situação.

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